sábado, 23 de abril de 2016

Essa rua toda nossa

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

Se essa rua, se essa rua fosse minha.
Eu andava, caminhava até cansar.
Se essa rua, se essa rua fosse minha.
Eu cantaria na esquina deste bar.

Se essa rua, se essa rua fosse minha.
Eu iria de padaria em padaria.
Casarão e casinha.
Cumprimentaria a freguesia.

Se essa rua, se essa rua fosse minha.
Eu seria o dono de uma banca.
Falaria com as velhinhas.
Eu também seria o guarda, que prenderia os pilantras

Se essa rua, se essa rua fosse minha.
Eu seria o rush, para que na minha hora não houvesse estresse.
Se essa rua, se essa rua fosse minha.
Iria grafitar amor quantas vezes eu quisesse.

Se essa rua, se essa rua fosse minha.
Eu pararia o trânsito, só pra te ver sorrir.
Olharia ao meu redor, para cada detalhe e escreveria uma poesia, até que grandinha.
E por fim, iria recitar, pra todo mundo ouvir.

Se essa rua, se essa rua fosse minha.
Eu tomaria café, logo da fumaça.
Acenderia os postes, da madrugada seria companhia.
E aos pombos, daria pão na praça.

Se essa rua, se essa rua fosse minha.
Olharia até o final e fecharia o sinal.
Só pra ver todos vocês na rotina dessa ruazinha.
Aaaaaa mas se essa rua fosse minha, seria noturna, vespertina e matinal.

Se essa rua, se essa rua fosse minha.
Haveriam mais beijos e abraços.
Beijos ao vento, nas bocas, de namorados e namoradinhas.
Mas se essa rua realmente fosse minha mesmo, eu iria da nota Dó a Si, sem buzinaços.

E logo, a rua é de todos, que estão por lá.
Se essa rua não fosse uma rua, nem teria pista.
Nem ao mínimo nos daria a pista de onde a encontrar.
Se essa rua, se essa rua fosse inteiramente minha, eu iria compor no asfalto com faísca.

Produção: 13 de Abril de 2016.


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