sábado, 30 de abril de 2016

Hora de não amar

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Divulgação)

É hora de vir Lúcia.
O lago mostra.
A poça nos teus olhos endossa.
Endossa a fala de sua mãe, bruxa do Lago, onde fora batizada um dia.

Voltando de uma longa viagem.
A menina não voltou só de passagem.
Mais por obrigação.
Sua mãe, bruxa das bruxas, lhe deu um sermão.

Quando menor, não podia se enturmar com os meninos.
Assim, sempre foi a excluída.
Até que, conheceu Romeu, católico de crença desinibida.
Pelos bosques, brincavam escondidos.

Chegou o momento em que ficou monótono serem só amigos.
E viajaram, sem a mãe de Lúcia saber.
Como a tal bruxa das bruxas, por vozes deu a ela avisos.
Cuidar de seu "amigo", porque o que viria depois, ela não gostaria de ver.

"Lembras do sermão minha filha?".
Vozes de sua mãe se multiplicavam por seus sonos.
E Romeu, durante a viagem por Veneza, sempre sorria.
O tempo de voltar para casa iria acabando.

Sem dispensar Romeu, Lúcia não se curvava.
Mas logo, a água fervia.
Era o feitiço de sua mãe.
Tão quente o vapor que Romeu não aguentou.
Ela o asfixiou.

E então, para o Lago voltou.
Sabendo do sermão, sofreu então.
Virou guarda do Lago, agora chamado de Sermão.
Lágrimas de um Romeu, que não morreu, mas evaporou.

Produção: 23 de Abril de 2016.

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