terça-feira, 2 de agosto de 2016

Interface poética

(Pedro Paulo Marra)

(Foto: Produção)

Espelho, espelho meu.
Existe poesia mais bonita que a minha?

Espelho, espelho meu.
Existe rima mais rimada que a minha?

Espelho, espelho meu.
Existe história mais bem contada que a minha?

Espelho, espelho meu.
Existe mesmo alguém melhor nos versos do que eu?

Espelho, espelho meu.
Existe outro eu?

Espelho, espelho meu.
Existe outro modo de ser poético, que escreve o bonito e o correto?

Espelho, espelho meu.
Na poesia, outra alma de Drummond por aí apareceu?

Espelho, espelho meu.
Na vida, esse ser melhor sou eu?

Só sei que a poesia de nada sabe, muito menos eu.
E ela não é melhor do que ninguém.
Apenas simplifica a vida sem precisar de amém.
Pois na religião, os poetas são deuses...
Dos versos.

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