terça-feira, 8 de novembro de 2016

O poeta jornalista

(Pedro Paulo Marra)


(Foto: Steve Petrucelli)

Hoje, eu cheguei cansado.
Meus cílios já estavam cabisbaixos.
Andei devagar.
Soltei a maleta na cadeira e me joguei no sofá.
Passei os dedos sinuosamente pelos cômodos até chegar ao quarto.

Hoje eu arranquei meus sapatos,
com um esforço ofegante.
Vi da janela, parquinhos dançantes.
Pernas infantis correndo e rindo pelos lados.

Hoje foi um dia em tanto.
O eco das papeladas e burburinhos.
Da rua e seus afazeres diários, me fizeram ser um pássaro no ninho.
Anotei, conversei e anotei.

E então, a porta bateu sem compromissos.
O sino da igreja pra mim foi omisso.
Fiquei mudo e quase surdo.
Lembra-se do sofá?
Pois é.
Por lá fiquei.

No dia seguinte.
Pediram bis.
Nem isso eu quis.
Só queria o café da redação e uma boa história para o jornal.
Porque essa que você lê, já fiz e refiz.
E ainda não está genial.

Produção: 4 de novembro de 2016.

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